Lisboa - 09/04
O Sol anda tímido. A chuva bebe-nos o prazer do sangue amante. A Primavera que nos encanta é o fervor do desencanto. O corpo dissolve-se no pranto de um sorriso molhado. Pergunto às palavras que não escrevo por onde andam as metáforas desta opacidade que deslumbra a realidade que sou incapaz de vestir. Sou um sinónimo de sobrevivência na sístole diária da fragilidade humana. Recuso a frigidez molecular, afinando o diapasão de um concerto sem ouvidos, sem lábios que lhe definam os pensamentos. Neste dia, sem diagnóstico, o paladar do gosto que me prova, é um caudal de labirintos onde perco o ritmo da lucidez. No entanto sou lúcido para me descobrir na vigilância do inconformismo tranquilo. Durmo aos solavancos, sonho sonhos de me sonhar vivo e transparente nas asas de uma semente matinal. Sou corpo são em mente sã.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Manuscrito de 10 de Abril de 2013, escrito na Biblioteca Nacional de Lisboa, entre as 14H20 e as 14H52.
Postado, no blogue, em 10 de Abril de 2013, na Biblioteca Nacional de Lisboa, entre as 15H43 e as 15H54.
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